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Sucesso rima com trabalho em equipe

Rose Domingues

Eu me lembro do primeiro dia em que vi a jornalista Caroline Pinnow. Uma moça grandona, que gesticula e fala muito. Foi amor à primeira vista, como eu sempre brinco. Senti que devia contratá-la. E contratei. Além de uma excelente técnica, essa jovem de 26 anos, três anos de experiência na área de jornalismo, tem uma coisa que me cativou: sensibilidade, compaixão, muita paixão. Paixão pela vida, pelos outros. Tudo bem que Caroline também rima com distraída. Às vezes eu sou dura com ela! Nem nessas horas brigamos. Pelo contrário, ‘sempre de boa’, ela solta um sorriso e pede desculpas com a certeza incomum para alguém da sua idade de que erros fazem parte da vida. O jeitinho ‘Polyanna’ dela me irrita às vezes, confesso. Mas hoje percebo que essa mania de procurar sempre ver o lado bom de tudo e todos é contagiante. Nossa convivência é uma troca constante em que ela me ajuda a ter fé na vida. Como não amar uma pessoa assim?

São duas ‘Carols’, duas pessoas lutadoras, duas jovens inesquecíveis, cada uma ao seu modo. Caroline De Vita é praticamente uma adolescente, sempre com muita energia, falando alto, grita para o mundo suas verdades. O trabalho com ela evoluiu bastante desde que nos conhecemos e ela nem sabia direito o que era jornalismo, isso há dois anos e meio. Nós geralmente brigamos bastante, afinal, duas bicudas não se beijam. Mas dois minutos depois já conversamos e fazemos as pautas juntas. Ver que minhas ideias e meu esforço renderam tantas excelentes imagens, tanta vivência jornalística a Caroline foi maravilhoso. Sim, eu colaborei para a construção da identidade desta profissional e de alguma maneira todas as sementinhas que eu lancei – porque amo minha profissão – irão germinar onde quer que ela venha a trabalhar, pois hoje ela já não faz parte da equipe da Única, mas tudo que aprendeu, tudo que aprendemos juntas é para toda vida.

Eu fiquei triste por não ter ganhado o prêmio, embora tenha ido para a final pela segunda vez. Mas, por outro lado, minha felicidade foi tão grande que a tristeza ficou pequena, breve. Primeiro porque a Caroline De Vita ganhou como melhor foto com a reportagem que eu fiz sobre reeducandos. A foto da capa ficou realmente maravilhosa e eu sabia intimamente que seria difícil alguém tirar a vitória desta moça que se dedicou tanto para ir comigo a todas as entrevistas, dentro e fora de presídios, chorou junto com as histórias tocantes dos personagens. Já a matéria da Caroline, desta vez a Pinnow, estava tão redondinha, tão bem diagramada, editada, tive orgulho porque sabia que havia um ‘toque’ muito especial meu no sucesso dela. Vibrei com ela. Chorei com ela. Nós realmente somos uma equipe. Ser equipe é algo muito diferente. Estou há 11 anos na área de jornalismo e nunca tinha vivido nada parecido. Sabe quando os interesses pessoais ficam menores que o interesse coletivo? Pois é bem assim que eu me sinto. Tenho certeza que minhas repórteres também se sentem da mesma forma. A gente se entende, a gente se perdoa, a gente torce uma pela outra, a gente ensina uma para a outra.

Outro dia alguém disse que era impossível nós sermos colegas de trabalho e amigas (neste artigo não falo muito da querida Jéssica, outro amor à primeira vista!). Talvez fosse se nós não quiséssemos realmente um mundo melhor, como escrevemos nas matérias. Talvez fosse se nós só vislumbrássemos ‘aparecer’, ‘vencer’, ‘ganhar’. Todavia, para nós, ganhar é consequência de trabalho árduo, significa subir por uma escada que nos conduzirá a um patamar diferenciado não só na área do jornalismo, inclui transformação pessoal. Não me acho uma pessoa fácil, como dizem por aí, tenho ‘o gênio forte’. Mas minha convivência com essas meninas e com todos da Única tem me feito tanto bem. Tenho aprendido a ser alguém melhor. Estou muito feliz pela oportunidade da vitória porque isso mostra que é possível obter êxito fazendo jornalismo ‘do bem’, fazendo o que a gente gosta, estando ao lado de pessoas que a gente admira, respeita e é respeitado.

Quero incluir todos da Única no rol de vencedores: Caroline Pinnow, Caroline De Vita, Jéssica Benitez, Roger Perisson (diretor de Arte), Lucy Macedo (proprietária e idealizadora), Kamila Tomazi (logística e ajudante na marcação das pautas), Antônio Kuhnen (administrativo), Reumar (motorista) e Doralice Jacomazi (revisora). Ganhar prêmio todo mundo pode, porém construir o próprio sucesso é para poucos. Sucesso exige tijolos diários de dedicação, cooperação, superação e esperança. A redação da Única tem isso de sobra. Obrigada ao Senai-MT pela oportunidade de tantas alegrias e um sabor doce de sabermos: estamos no caminho certo. Que bom!

*Rose Domingues, editora revista Única

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Ficha Limpa ou Ditadura do Judiciário?

Sissy Cambuim

Ainda nos dias de hoje nos pegamos comemorando, sem saber direito como ou por que, o fim da ditadura militar e nessa sexta (17.02) a população exibe com orgulho a aprovação da Ficha Limpa, mas será, realmente, que este é o melhor caminho para a democracia?

Há 23 saímos às ruas pedindo Diretas Já!, lutamos pelo direito de escolher os nossos candidatos e hoje, comemoramos o atestado de não ter acertado em nossas escolhas. Precisamos pedir que a Justiça nos impeça de votar em quem já foi condenado porque nosso bom senso nos impediu de fazer boas escolhas. Se todas as opções são ruins, temos o direito de não votar em ninguém, se é o sistema que não funciona, já provamos que temos força para poder mudá-lo, mas preferimos nos iludir.

Hoje, acordamos com a ilusão de que a inelegibilidade, pelo período de oito anos, pode moralizar a política, mas como, se não conseguimos moralizá-la ao longo de décadas? Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso estão sendo amplamente criticados por entender que a Lei da Ficha Limpa é inconstitucional. E acreditem ou não, esses ministros estavam cumprindo plenamente sua função, que é zelar pela Constituição Federal.

A legislação, que nasceu da vontade do povo, como uma lei deve ser, condena à inelegibilidade políticos condenados por órgão colegiado, mesmo que eles ainda recorram, em instâncias superiores, da decisão que os condenou. Eles podem reverter a condenação no futuro, mas poderão reverter o fato de não poderem ter sido eleitos?

E você, garante que acompanhou a atuação do candidato em quem votou e se satisfez com ela? Observou com critérios seu candidato, da mesma forma que analisa um funcionário a ser contratado? Já é costume das empresas pedirem certidão negativa de antecedentes para atestar a boa índole de seus possíveis empregados, mas isso não impede que ele seja avaliado e fiscalizado no dia a dia no seu trabalho.

Muitos discursos defenderam aprovação da Ficha Limpa como forma de moralização da política o que, na verdade, não passa de um tapa na cara da sociedade. A moralização não é na política, e sim na população, que precisa que alguém aponte a ela quem pode e quem não pode ser votado, exatamente como era nas eleições indiretas.

A diferença, agora, é que quem vai indicar os nossos candidatos não são parlamentares, mas juízes, das mais diversas instâncias. Se passamos tanto tempo reclamando da morosidade no Judiciário, por que delegar a este Poder a prerrogativa de nos dizer em que votar ou não?

O pior é que já tivemos uma pequena prova de degustação do que está por vir. Candidatos concorrendo sub-júdice, condenados pela Lei da Ficha Limpa em 2010, sendo campões de voto em seu colégio eleitoral. É a política mesmo que precisa ser moralizada?

Enquanto reclamamos do sistema Judiciário, quanto tempo passamos nos perguntando o motivo da morosidade? Será que se o Supremo Tribunal Federal (STF), que tem como função analisar matérias de constitucionalidade, não tivesse que julgar tantas ações de políticos, que respodem no Supremo em função de seu foro privilegiado, os julgamentos não seriam mais céleres? Será que se o Judiciário fosse tão ilibado para ter o poder de nos dizer em que ou não votar, haveria tantos recursos? As decisões entre uma instância e outra seriam tão divergentes?

O que nos falta aprender é que quem compra seu voto, também pode comprar uma sentença! Moralizar a política é um dever de análise da própria moral.

Apesar de acreditar que a lei da Ficha Limpa é sim, inconstitucional e até antidemocrática, reconheço que o excesso de zelo não faz mal. Mas para exercê-lo com responsabilidade e poder, de fato, comemorar uma vitória para a população, temos que lutar por ela, o que significa que nosso dever é redobrado. Agora, não nos basta fiscalizar os políticos que elegemos, mas também os membros do Judiciário que os sentenciam, se não, correremos o sério risco de ver nossos netos brigando pelo fim da ditadura do Judiciário.

Sissy Cambuim é jornalista em Cuiabá.

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Identidade jornalística e os existencialismos da profissão

Aluízio de Azevedo

Exercer a profissão de jornalista é estar sempre na corda-bamba. É uma atividade bastante complexa, cheia de regras, jogos, lutas internas, disputas, traições, ambiguidades, superações, desafios e oportunidades.

Acontece de tudo nas redações e nas relações entre o papel do jornalista, nos vários desdobramentos (editor, repórter, fotógrafo, diagramador, assessor de imprensa, estagiário, editor geral, empresário, etc) e as suas fontes, esses últimos tanto clientes como fornecedores – para utilizar uma ótica mercadológica.

Do ponto de vista social e cultural a discussão fica ainda mais rica. São identidades em jogo, travando sua própria existência e continuidade no mundo da comunicação. Ora a serviço do mercado e do capitalismo, ora denunciando e contradizendo as ações que a política social e a comunidade global adotam.

Assim, exercer a profissão seja no impresso ou nas mídias eletrônicas é sempre ritualizada, nos embates da cozinha redacional. São nas configurações existentes daquele momento que se faz a realidade jornalística.

Dos mitos históricos contados pelos mais antigos, juntamente com suas experiências, até as ilusões e utopias dos jovens focas, se constrói o jornalismo cotidiano.

Bailando entre políticos, empresários, cientistas e educadores, os jornalistas são os mediadores por excelência. Permitem o fluxo das informações, positivas ou não. Transformam a existência da realidade e a constroem, refletindo todo o poder de manipulação.

Os jornalistas fraquejam e se entregam à demência, aceitam propinas ou subornos, relações escusas e corruptas inclusive. Afinal somos seres humanos e temos a capacidade da ética. Mas nem todos a seguem.

Assim, a vida vai se reproduzindo nas páginas dos jornais. Na novela da rede Globo. Na interação brutal com a internet. Ou, ainda, nas páginas das principais revistas do País, sejam elas impressas ou onlines.

O jornalismo não se resume apenas à notícia ou ao repórter. A cadeia é muito mais extensa, especialmente na comunicação de massa. Passa pelas mídias sociais a todo instante e na enormidade dos fenômenos existenciais que não são capturados pela mídia.

Universos paralelos que vão se coexistindo à sua maneira. Imersos na memória local, até que o universal o sintonize. Assim, o mundo virtual vai construindo o real. E o mundo real vai se concretizando cada vez mais na construção comunicacional, exalada pelo virtual.

*Aluízio de Azevedo, Jornalista, especialista em Cinema, Mestre em Educação Ambiental e mitologia Cigana, professor do curso de jornalismo da Universidade de Cuiabá

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A imprensa precisa ser mais safada


Thiago Itacaramby

Isso mesmo. A Imprensa precisa ser mais ‘safada’. O safada é no sentido de atirada. Ela por si só deveria andar mais solta, mais livre, de fontes plurais. Sobretudo, respeitando os direitos de ir e vir de cada um de nós. Essa história de que a Imprensa é um dos quatro poderes… Será que o rótulo está atual? Será que cabe a ela ainda esse título? Ela está inserida no embaraçoso jogo dos poderes. E assim convivemos com a corrupção, a desinformação. É assim que nasce o mundo cão.

Um de seus deveres é oferecer atitudes participativas de ingressar a sociedade na vida política do país. O Executivo proporciona isso? E o Judiciário? A Voz do Brasil é suficiente? Cadê as verdades. Cadê os fatos sagrados. É muita bunda, as mulheres viraram frutas. Uiuiuiaiai. A ‘putaria’ anda frouxa. O povo faz parte da sacanagem. Estamos com a libido atacada. Tudo é fantástico! Os problemas são os mesmos do passado.

A situação em Fukushima, no Japão, é crítica. Eis a Imprensa em silêncio. O que se vê é uma mídia (sem ter o que fazer) a retratar o novo topete (o visu) de Neymar. Viva a celebração dos astros, dos mitos. Em relação ao Japão, vai ser um choque quando a verdade aflorar. Só após o caos é que ela começa a explorar. É muita volúpia por metro quadrado. Não podemos nos esquece do Poder Judiciário, o ‘cerco’ fechou para cima do órgão. Aquilo lá é uma caixa preta. Quem vai encarar? É dali que nasce a ‘coisa’.

É people, viver em sociedade não é fácil não. Temos que tratar os assuntos políticos com seriedade. Afinal, mesmo se eles não prestam enquanto sociedade democrática é preciso que haja lideranças. Faz parte do jogo. São quase todos influenciáveis. É a cobiça, a vaidade que se opõe às Leis. Cá entre nós, uma lei que não é obedecida. É uma lei? E o quê será?! Se não fica tudo em vão. A vida imitando a arte. É assim será.

Vamos buscar a nossa independência. A isenção dos fatos. Vamos discutir com nossa autocrítica mode on.  Vamos dar mais vida ao mundo. Fica tudo tão bem, tão zem. Boa semana a todos vocês, leitores. Transforme nosso mundo através do seu gesto. Faça sua parte!

Thiago Itacaramby – jornalista do @ecopensar_, humanista, metido a ambientalista e editor do site Repórter MT. Siga no twitter @bichopriguica

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Assessoria de Comunicação: algumas considerações… Parte 03

Hoje você vai acompanhar as considerações das jornalistas Aline Cubas e Lenita Violato Ferri.

Aline está com 39 anos, Lenita com 31. A quantidade de anos, 8, que as separa na certidão de nascimento, é igual ao tempo de formada que uma tem sobre a outra. Aline se formou em 1995, está com 16 anos de formada. Lenita se formou em 2003, está com oito anos de formada. Ambas fizeram Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na Universidade Federal de Mato Grosso.

Lenita V. Ferri

A “calourinha” Lenita Violato Ferri, no entanto já se encaminha para completar cinco anos de atuação como Assessora de Comunicação do Ministério Público Federal. Mais contida, ou seria concisa (?), ela se avalia como meio tímida nas respostas.

Breve currículo

Antigo site RMT On-line, atual G1. Secretaria de Estado de Administração (SAD). Ministério Público Federal.

 

 

 

Principal desafio

De um lado, o principal desafio é consolidar a assessoria de comunicação na instituição. Do outro, é tentar colaborar com os colegas jornalistas para o entendimento do universo jurídico brasileiro. E, no meio de campo, articular para conciliar o timing do jornalismo com o do trabalho da minha instituição.

O que precisa fazer parte da rotina?

Ah, as boas pautas são sempre bem-vindas! E o contato com os colegas jornalistas dos meios de comunicação é imprescindível. Gosto mesmo de recebê-los pessoalmente ou atendê-los por telefone.

Assessoria x Jornalismo

Considero que o trabalho desenvolvido numa assessoria precisa do conhecimento e das informações que a faculdade de comunicação aponta. Em assessoria não precisamos apurar os dois lados da história, um dos principais pilares do jornalismo. A técnica e o feeling jornalístico têm que ser usados para apurar os fatos do lado que será divulgado via assessoria – e isso contribui para o trabalho seguinte da imprensa que é o de apurar o outro lado dos acontecimentos.

Cada vez mais instituições públicas e privadas têm criado e/ou estruturado o setor de assessoria de comunicação. Apurar uma pauta sem entrar em contato com as assessorias de comunicação pode ser um tiro no pé. E o jornalista de assessoria precisa da parceria com o jornalista da redação. Em resumo, o trabalho conjunto dá bons frutos!

Está realizada?

Quase 100%. O pouquinho que falta é o que dá motivação para tentar ser e fazer melhor agora.

Voltaria para a redação?

Sim.

Aline Cubas

A “veterana” Aline Cubas completará em janeiro de 2012, sete anos como Chefe da Seção de Imprensa do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso. E é com suas considerações bem concisas que finalizamos essa série de posts sobre Assessoria de Comunicação.

Breve currículo

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela UFMT atuou como repórter e editora no jornal Diário de Cuiabá, como chefe de reportagem da TV Centro América. Atuou ainda como assessora de imprensa na UFMT, na Secretaria de Fazenda, no Conselho Regional de Farmácia e atualmente no TRT/MT.

 

 

Principal desafio

Fazer chegar ao cidadão informações sobre a relação trabalhista de forma a possibilitar aos envolvidos o exercício dos seus direitos.

O que precisa fazer parte da rotina?

Elaboração de matéria de decisões judiciais.

Assessoria x Jornalismo

Não respondeu.

Expectativa do mercado de trabalho?

O mercado de trabalho para os assessores permanece em expansão, tanto de vagas quanto no aspecto de remuneração.

Está realizado?

Sim, tendo em vista que além de remuneração, atuo na assessoria de um órgão que possibilita que se busque prestar contas de sua atuação à sociedade.

Voltaria para a redação?

Sinto falta da dinâmica das redações, no entanto nas atuais condições de trabalho (questões editoriais e salariais) não sinto nenhum estímulo para voltar.

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